segunda-feira, 7 de março de 2011

Dona Baratinha


Figura 1
Era uma vez... Uma Baratinha muito bonitinha. Estava ela varrendo a frente de sua casinha, quando achou, na calçada, uma moeda. Dona Baratinha sabia que aquela moeda não lhe pertencia, por isso, saiu procurando pelo dono. Como não o encontrou, a vizinhança decidiu que o dinheirinho ficaria para ela.


Figura 2
Muito alegre e satisfeita da vida, Dona Baratinha guardou, numa caixinha, seu “tesouro”. Com o passar do tempo, ela achou que estava ficando velha e já estava passando da hora de se casar. Mas, e o noivo? Como ainda não tinha um, resolveu começar a perguntar musicando de sua janela para aqueles que passavam na ruela.


Figura 3
-Quem quer se casar com esta Baratinha que tem pressa e moeda na caixinha? -Eu! Eu! Eu! Respondeu logo um pretendente, o boi. -Como é que o senhor faz quando chega a noite e vai se deitar? – Perguntou à donzela. -Muuu... muuu... muuu!


Figura 4
-Não te quero não, senhor! Na hora de dormir, com esse barulhão, vai me assustar. Ao me deitar, gostaria de ouvir algo do coração. Alguns minutos mais tarde... Passou um outro animal; e, da janela, ouvia-se a donzela musicar.


Figura 5
-Quem quer se casar com esta Baratinha que tem pressa e moeda na caixinha? -Eu! Eu! Eu! Respondeu logo um pretendente, o burro. -Como é que o senhor faz quando chega à noite e vai se deitar? -Ioó... Ioó... Ioó! -Não te quero não, senhor! Na hora de dormir, com esse barulhão, vai me assustar. Ao me deitar, gostaria de ouvir algo do coração.


Figura 6
Em seguida, quando veio outro pretendente, a Baratinha começou sua fala musical: -Quem quer se casar com esta Baratinha que tem pressa e moeda na caixinha? -Eu! Eu! Eu! Respondeu logo um pretendente, a ovelha. -Como é que o senhor faz quando chega à noite e vai se deitar? -Mééé... Mééé... Mééé! -Não te quero não, senhor! Na hora de dormir, com esse barulhão, vai me assustar. Ao me deitar, gostaria de ouvir algo do coração.


Figura 7
Muitos pretendentes apresentaram-se para a Baratinha que era mesmo sensacional e musical. Era leão rugindo, gato miando, sapo coaxando, galo cacarejando... Todos faziam uma barulhada, debaixo da janela, incomodando a delicada donzela. A verdade mesmo é que Dona Baratinha, apesar de ter pressa em se ver casada, não abria mão de dormir sossegada. Ela já estava desanimada, quando, de repente, surgiu um novo pretendente, que parecia mais um presente.


Figura 8
Imediatamente, dona Baratinha começou sua fala musical:
-Quem quer se casar com esta Baratinha que tem pressa e moeda na caixinha? Eu bem que gostaria. Disse o humilde retinho. -Mas acho que não sou digno de ter tão encantadora noiva! -Como é que o senhor faz quando chega à noite e vai se deitar? -Imagine a senhorita que meus ruídos  não passam de Quic... Quic... Quic... Mas, o que falo vem do fundo do meu coração! È o que faço de melhor! E, à noite, jamais me deito sem antes agradecer a Deus tudo o que tenho nesta vida. -Até agora, não gostei de nenhum pretendente. Mas, te observei... Você parece ser tão diferente... Não sendo grosseirão, será um maridão! Parece que Dona Baratinha vai desencalhar. Vendo tal noivo, não demorou a preparar tudo. Mandou logo que fizessem uma suculenta feijoada para os convidados do casamento. No dia e na hora marcados, casaram-se. E, após a cerimônia, os convidados correram para a festa.


Figura 9
Toda bicharada já estava na sala quando o noivo, bem quietinho, entrou na cozinha por um buraquinho... Do jeitinho que sempre fazem sempre os ratos que se prezam. Ele sentiu o cheiro maravilhoso daquela apetitosa feijoada, subiu até a beirada do fogão e, num escorregão, caiu dentro do caldeirão. -Que morte! -Que falta de sorte!


Figura 10
E, até hoje, Dona Baratinha fica choramingando pelos cantos o seu pranto: -Ah!... Se meu noivo não fosse tão guloso... Tudo seria maravilhoso!


Márcia Vaz
Ilustrações de
Valderi Francisco
Editora Terra

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